quarta-feira, 15 de março de 2017
Borbucetas
Quando a roda gira, borbucetas voam,
No infinito torto tecem libertação,
Avoa eu, avoa tu,
Casulos se tornam asas,
Fragmentos unem-se num todo,
E as borbucetas seguem em seus vôos,
Em tons rosa-lilás de prazer e amor.
domingo, 30 de outubro de 2016
"Nem lembro se olhou para traz ao primeiro passo, aço...”
Estou meio introspectiva hoje, sempre sonho que estou em frente a um tanque de guerra, me parece que em outra época, no sonho estou brava com algo, parece tão real, muita fumaça, existe uma revolta, mas sem medo...
Essa noite sonhei novamente com isso, parece mais uma lembrança do que um sonho,não sei ainda...
Essa noite sonhei novamente com isso, parece mais uma lembrança do que um sonho,não sei ainda...
Por sorte, vez por outra, sonho também com praias, jardins e seres luminosos...
Quando acordei fiquei lembrando-me de minha juventude, da passagem pelo movimento estudantil. Guiei-me pela coragem, sofrimento e mortes de gerações passadas que lutaram pela democracia no Brasil, honro cada uma. Rememorei que entre sala de aula, reuniões políticas no DCE, passeatas e greves estudantis e de professores, calouradas, festas, romances, sonhávamos e queríamos construir uma sociedade diferente...
Sei que quando me apresentaram Marx como um clássico, já diziam que suas teorias não davam conta da realidade pós-moderna, eu fingia entender tudo (risos). Só sei que virei uma socialista sem saber quem era Lênin ou Trotsky (isso descobri anos depois). Se eu era comunista ou reformista não me interessava, com 20 anos a gente não precisa saber de tudo, aliás, a gente não precisa saber de tudo em idade alguma, bom mesmo é sempre ter algo a aprender...
Os meus tempos de inquietação, da UMES para 1ª chapa que concorri no centro acadêmico livre de serviço social na Universidade Estadual do Ceará, os sonhos não envelhecem. Os anos seguintes foram ERESS (encontro estadual de estudantes de serviço social), ENESS, Congressos da UNE,tempos de lutas, aprendizados e aventuras...
Às vezes se repeti em minha mente o refrão da musica na voz de Flávio Venturini: “porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos e sonhos não envelhecem, nem lembro se olhou para traz ao primeiro passo, aço...”
Penso nos meus filhos Ana e Emanuel,jovens, lutando todo dia para acreditar que existe um futuro com vida em abundancia,lembro dos estudantes pelo Brasil inteiro, ocupando as escolas nesses tempos sombrios atuais...
E me vem uma frase: a juventude é linda e revolucionária! Mesmo quando alienada, inocente ou degenerada pelos “invalores” do capitalismo. Ela tem uma energia forte, corajosa, confio que sabem potencializar um movimento inverso nesse processo “involutivo” dessa humanidade desumanizada...
E me vem uma frase: a juventude é linda e revolucionária! Mesmo quando alienada, inocente ou degenerada pelos “invalores” do capitalismo. Ela tem uma energia forte, corajosa, confio que sabem potencializar um movimento inverso nesse processo “involutivo” dessa humanidade desumanizada...
Defino as fases de minha vida como viagens que fiz... E essa viagem de militância,ativismo na juventude, foi rápida... Tive a companhia de outros jovens, com relações afetuosas, de conflitos, de boemia, de conselhos, de poesia. Meu ativismo no mundo é todo dia!
É, os sonhos não envelhecem, são os mesmos até hoje, continuo acreditando que outro mundo é possível: mais justo, mais igual, com mais liberdade, com mais verdade e beleza.
Apoio as ocupações nas escolas, apoio toda ação da juventude pelos seus direitos.
Num país chamado Brasil, onde investir no agronegócio é mais importante que investir na educação, nossa resposta é luta, luta todo dia!
Apoio as ocupações nas escolas, apoio toda ação da juventude pelos seus direitos.
Num país chamado Brasil, onde investir no agronegócio é mais importante que investir na educação, nossa resposta é luta, luta todo dia!
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Em tempos sombrios...
Nas andanças e danças, nas rodas e curvas da vida,
enraiveceu-se várias vezes por ver tudo ao seu redor desorganizadamente cinza...
Nos dias de sol, ergue o nariz e segue nas lutas e labutas...
Nos dias de chuva, dar suspiros profundos, descansa, desapego é sua melhor companhia...
Ganha espaço, dar evasão as mudanças,
lacrimeja uma esperança corajosa...

Seu ser em totalidade reluz um colorido de novidades...
enraiveceu-se várias vezes por ver tudo ao seu redor desorganizadamente cinza...
Nos dias de sol, ergue o nariz e segue nas lutas e labutas...
Nos dias de chuva, dar suspiros profundos, descansa, desapego é sua melhor companhia...
Ganha espaço, dar evasão as mudanças,
lacrimeja uma esperança corajosa...

Seu ser em totalidade reluz um colorido de novidades...
terça-feira, 4 de outubro de 2016
E a chuva chega novamente no Cerrado
E a chuva chega novamente no Cerrado
O dia tá cinza e frio
Gotas escorrem pela janela
Ela tá líquida e quente
Sorrisos escorrem pelas lembranças
As primeiras chuvas vêm com cheiro de terra
As flores se abrem e cores
Ela fica com cheiro de desejo
Se abre em amores
Liquida sangue quente.
Como a água molha a terra
A plenitude molha seu sexo.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Sobre as Dilmas
Interrogada e torturada antes, ontem
Violentadas e julgadas antes, hoje
Na casa, no trabalho, na política
Não há aceitação para mulheres assertivas,
No patriarcado machista
Ser autentica, nos vale a vida,
Vida pública ou privada
Mestras queimadas, ditas bruxas, fomos!
Sufragistas, rebeldes, presas e mortas, fomos!
Negras, chicoteadas, escravizadas, fomos!
Indígenas dizimadas, fomos!
Lésbicas, linchadas, fomos!
Feito Dilma: guerreiras, dignas, lutadoras, somos!
Seguiremos:
Na luta,
Na busca,
Do nosso lugar da integralidade
Liberdade
Lugar de mulher, não é na sua narrativa de delicadeza feminina
Lugar de mulher é onde ela quiser!
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Oração do amor próprio
“Que eu
saiba primeiro me encontrar, antes de me doar.
Que eu possa
respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer não quando essa é a minha
real vontade e direção.
Nos erros
que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço
e dou o meu melhor, que eu aprecie a autogratidão.
Em cada
alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram
de mim, esse tempo acabou.
Com carinho
eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se
refaz no meu tempo, e nele meu coração celebra.
Que eu não
me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia. Que eu saiba
respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir
a alegria.
Que antes de
eu cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a
doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.
Que eu não
abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que
eu saiba me olhar com amor e me curar.”
segunda-feira, 27 de junho de 2016
A feminista, o pastor, e o estuprador.
Eu ouvi de um Deputado Pastor fulano de tal
Que estamos todas erradas
As “feministas do mal”
Para ele, o estuprador.
É um “doente mental”
Criminoso diferente
Um monstro,
Um anormal
Ora, que conveniente.
Essa proteção moral!
É difícil entender
A cultura do estupro?
Se o senhor diz que não vê
É porque isso te dá lucro.
O machista se defende
Nega para se eximir
Ele diz que nada sente
E vai tranquilo dormir.
Só enxerga o crime
do outro
A perversidade que está na rua
Assumir os seus pecados?
Tá doido? Só louco!
Mas a culpa também é
sua!
Não te chamo deputado, de monstro estuprador.
Porém esse “homem decente”
A tradição desse crente
É que carrega a nossa dor.
A dor de ser julgada
Pelo tamanho da saia
Por ou ter ou não ter pudor
A dor de ser condenada
Se, mesmo sem ser casada,
Vai sozinha pro show.
A dor de ser humilhada
Em cada palmo de
calçada
Se faz frio ou faz calor.
A dor de ser violentada,
Dentro da própria casa
Pelo tio, pai, avô.
Não interessa a idade,
A profissão ou
cidade,
Pra conhecimento do senhor
Não disfarce a verdade
Mulher é propriedade
Se o homem é provedor
E quando acontece na festa
Que não era pra adolescente?
Vocês vão duvidar de mim!
Questionar meus “antecedentes”
Justificar o meu fim!
Pois mexi com entorpecente
E aí... Fique assim
Por que ela quis liberdade demais?
O que estava procurando?
Onde é que estão seus os pais?
Desse jeito, acaba
achando...
Mas, Deputado, vem cá.
Me responde, sem heresia.
Se eu fosse “mulher
direita”
Isso não acontecia?
E a criança e a freira?
Pastor deixa de hipocrisia.
Na maioria dos casos,
O estupro é na família
É parente o carrasco
É menina...
À luz do dia...
A tradição diz que ser homem
É bem melhor que ser mulher
Andar por aí sozinho
Brincar de bola e carrinho
Ser pai, só se quiser!
Para nós, a brincadeira.
É treinar para ter marido
Casinha, fogão, passadeira.
Cor de rosa só o vestido.
E quem ganha os salários maiores?
Quem não pega barriga, o varão,
Aquele que é mais forte,
Diz a tua tradição.
A Deputada o senhor não respeita
Levanta o dedo e grita
Quando quer ser gentil, silencia,
Atropela, desqualifica.
Encheu a boca pra dizer
“minhas mulheres lá em casa”...
Elas não são como vocês
Nunca serão estupradas.
Dia desses, outro Deputado.
Orgulhoso de si, um homem de fé.
Cheio de certo e errado
Homenageou a esposa, uma dócil mulher.
Ela sim era bem amada
Não era qualquer.
Um terceiro moralista
Bem amigo do senhor
Gritou ao Brasil inteiro
Seu potencial estuprador
Mas nem todas mereciam
Ter o “prêmio” de terror
Depois de ouvir tuas
palavras
Carregadas de truculência
De novo, fomos
estupradas,
Sofremos indignadas,
Apoiadas na resistência.
Deu pra entender por que negam
Aquilo que tanto alimentam
Os valores machistas que pregam
A cultura do estupro sustenta.
Para as leis que os senhores ditam,
[] Somos sempre mentirosas
Dizem defender a “vida”
Sem se importar com a nossa.
Cadeia à mulher que aborta
BO, IML e por aí vai.
A ela, vigilância e ameaça.
A ele, os direitos de pai.
Vou parar de chama-lo senhor,
Autoridade ou excelência
Nenhum patriarca
opressor
Merece minha deferência
Educação me deu o
professor
E a vida,
desobediência!
Sua régua não vai
nos medir
A sua moral vai cair
Dá licença, nós vamos passar.
* Cordel de autoria
da Feminista do Cerrado
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