terça-feira, 12 de junho de 2018

Amo amar uma mulher

Aos 44 anos conheci uma mulher,  ela me conheceu como nem eu me conhecia, foi um encontro de novidades, ela me salvou da heteronormatividade... 

Vivemos encontros  de cura e aprendizados. As vezes, somos duas meninas, brincando e gargalhando ao vento, outras vezes, duas amantes, se deliciando com o prazer e  gozo que só duas mulheres podem se dar/doar...

Das vontades: os dias vão se passando e vai crescendo minha vontade de fazer  tudo com essa mulher:  dormir,  acordar, passear, dançar, viajar, juntinhas ficar...

Das  incertezas: será que  eu tava no armário ou só esperando encontrá-la? Será que vou conseguir encanta-la, com minha paixão inquieta e  desejo ardente, e essa mania de alma velha que quer  só amor de paz, aconchego e  exclusividade?

Das certezas: Confio que nada é por acaso, os encontros são dádivas para nossa evolução. Vivo o presente no presente de sua companhia. 

Sou mais feliz agora que conheço o amor entre mulheres, seja  qual for o caso ou formato, desse enamoramento não abro mão, vou cultiva-la em minha vida, não vou perde-la, esse amor em mim por ela é  parene. 
Amar é uma bênção.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Transição


Costumo entender que o desejo de mudança é uma crise de emergência espiritual....

Como se nossa identidade estivesse se desfazendo...

É um tipo de  surto... Um caos que leve a suavidade...

Como vidro passando pelo fogo, derretesse para ter uma nova forma...

Uma profundo desejo de profundidade...Uma sensação de inadequação...

Misto de tristeza e alegria...

A certeza que no tempo certo,  ficará dentro e fora de si somente o que é para ficar...

O ser em toda sua complexidade se renova...

Essa mudança é absolutamente bem-vinda...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Brincancia líquida


Essência líquida,

Corpo de sangue e ar,


Intensa, feito vento ventania...


Na efêmera alegria de todo dia,


Ela segue brincante em seu habitar...



Leve e firme, com margens ou sem beiras,


 Fluir é seu melhor lugar...


 Até parece comigo, como escudo, hora pedra, hora flor,


 Nasceu para reinar...


 Brincancias feminina, em qualquer palco vai me fazer gargalhar...


Na consistência quente do seu prazer,  


Lateja na língua, desce no âmago, escorre no sexo...


 Foi feita para amar,


Amor que move o mundo na   alegria de um corpo livre. 



domingo, 5 de novembro de 2017

Sobre meu movimento “multi” na vida...


Arte, cuidado e feminismo para mudar o mundo:
Onde se encontram meu feminismo negro com meu ecofeminismo? Digo “MEUS” em virtude de estar falando do meu fazer político para além dos escritos acadêmicos sobre isso...
Tendo nitidez que os modelos atuais de fazer política e organizar a economia, ditos hegemônicos, estão “desmodelados” em sua ética e resultados, ou melhor dizendo falidos em sua governança...
Respondo dizendo: No meu artivismo, no compromisso integral de construir um novo projeto de sociedade, do Bem Viver, Sustentável para as diversas pessoas e todos os seres vivos numa troca justa com os recursos naturais desse planeta lindo que vivo.
Então vamos vibrar?! Eu quero é me "descolonizar" ...
Viva o tambor, a música e a poesia; Viva as ecovilas e as feiras de trocas; Viva as rodas de autocuidado e cuidada entre mulheres ativistas, viva o taro/reiki/benzeduras e chás...
Viva a luta de todo dia e a rede de afeto entre mulheres para mudar esse mundão!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Transmutação


Vivo um tempo de transmutação....
Alquimia, de pedra a flor...
De aceitação a gratidão...
Irmãs nesse planeta;
Minhas ancestrais;
Minha descendência: 
Sinto muito,
Me perdoem, 
vos amo,
sou grata!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Borbucetas



Quando a roda gira, borbucetas voam,
No infinito torto tecem libertação,
Avoa eu, avoa tu,
Casulos se tornam asas,
Fragmentos unem-se num todo,
E as borbucetas seguem em seus vôos,
Em tons rosa-lilás de prazer e amor.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Fábulas de uma viagem para dentro de mim


Fiz uma viagem para dentro de mim e não fui sozinha. 
Uma menina negra, ágil e alegre se propôs a me fazer companhia. Ela havia sido abandonada pela família, que por pobreza extrema não teve outra opção (situação quase corriqueira num país de base colonial escravocrata como o nosso). Decerto que não tive opção, aceitei a companhia dela, afinal eu sou uma mulher negra, adulta, ágil, hora alegre, hora triste, e que por muitas vezes sou abandonada até por mim mesma. Cuidamos uma da outra nessa viagem.

Por alguns dias ficamos em frente a um rio. Fixamos nossos olhares nas águas que passavam tranquilamente. No fim do dia, a margem ficava alta e banhávamos nossos pés. No início do dia, a água estava tão baixa que era tudo transparente e dava para ver o leito e tudo que estava lá, pedras, pequenos peixes, gravetos... Ele esperava tranquilamente o dia todo para ser cheio ao fim do dia...

Eu e menina entendemos a primeira lição: nossas vidas são como rio, altos e baixos. Quando estamos no alto, nossa energia é tão forte que erradia... Todos se aproximam e querem usufruir desse momento, sejamos generosas, compartilharemos... Quando em baixa, nos momentos amargos da vida, nossa energia enfraquece, ficamos tão transparentes, toda dor, dúvidas que estão guardadas são mostradas. Não seremos arrogantes, esperaremos e pediremos ajuda...

Seguimos a viagem. Passamos alguns dias na estrada só nos olhando. Já no quinto dia, resolvemos sentar debaixo de uma grande árvore e conversar. Escolhemos essa árvore pela sua grandeza, com caule e galhos grossos, negros e fortes. Tantas folhas, de muitos tamanhos, de muitas tonalidades de verde... Sua sombra imensa... Sentamos debaixo dela e iniciamos a conversa...

Eu disse a menina:
 - Quando era do seu tamanho, meu único sonho era ter uma casa na árvore, morar nela para sempre e escrever muitas histórias...
A menina me olhou com os olhos arregalados e disse:
- Mesmo? Pois esse é meu sonho!
Olhando para a copa da árvore que nos protegia com sua sombra eu respondi:
- Que coincidência maravilhosa... Eu não tive a casa na árvore... Hoje meu sonho é ser a árvore... Tão forte e bela quanto essa, assim meninas como você podem construir suas casas na árvore...
A menina alegremente perguntou-me:
 - Quando tu conseguir ser essa árvore, me deixa ser a primeira moradora e fazer minha casa lá?
Aquela pergunta me emudeceu... Fiquei algumas horas pensando, então respondi:
- Com certeza quero ser sua árvore e abrigar tua casa para sempre. Estou gostando muito de sua companhia, mas, enquanto eu não sou essa grande árvore, tenho uma brincadeira para te propor... vamos nós duas subir nessa árvore e fazer nossa casa... Que achas?
- Gostei!!! Vamos sim! A menina vibrou animada...

Subimos na árvore, eu e a menina, eu era a menina, a menina era eu...

E descobrimos que a árvore e a casa estavam lá, dentro de nós... Ficamos muitos dias dentro de mim, brincando e escrevendo nossas histórias...
A lição da árvore: somos nossa História, nossas lembranças e sonhos. A grande árvore só precisa de espaço e decisão para brotar e crescer...


Depois conto mais sobre a viagem para dentro...