quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Surto...


Costumo entender que o desejo de mudança é uma crise de emergência espiritual....

Como se nossa identidade estivesse se desfazendo...

É um tipo de  surto... Um caos que leve a suavidade...

Como vidro passando pelo fogo, derretesse para ter uma nova forma...

Uma profundo desejo de profundidade...Uma sensação de inadequação...

Misto de tristeza e alegria...

A certeza que no tempo certo,  ficará dentro e fora de si somente o que é para ficar...

O ser em toda sua complexidade se renova...

Essa mudança é absolutamente bem-vinda...

sábado, 14 de dezembro de 2013

Inadequação...

Ela gargalhou desesperadamente e percebeu que era raiva, então vomitou palavras...
Por alguns segundos engasgou – se com o próprio vômito, anda sufocada pela superficialidade...
Deseja calar-se, mas os gritos se fazem mais presentes...
Não se conforma com um cheio tão vazio...
Seu corpo fala... Olhos, boca, mãos, suores...
Fala de quê?
Inadequação... A humanidade não sabe mais amar...
 Até beijou uma boca que vomitava a mesma comida...
E que boca gostosa...
Alguns soluços serão necessário para  recompor-se...

Nunca antes suas lágrimas foram tão alegres.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Eis-me aqui...


A angústia da renovação arde como queimadura de insolação...
Olhar o nascer do sol com mais distanciamento, seguir um caminho novo...
A dor de perder aquilo que nunca se ganhou, é uma dor pequenininha...
Afinal, como estou meio flor, a fragilidade se faz presente...

a dor de não querer
de forma alguma
pôr um ponto final

e eu vou esmagar
esse medo besta
voltar ao meu estado meio pedra

E agora eu vou vestir minha armadura de novo

e eis-me aqui: como sempre.




(04/12/2013 - Poesia a 4 mãos, Suelli Martins e Cleudes Pessoa)

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Meu eu menina...



Aprendi com os  Mestres da vida que viver é uma experiência única, preciosa...

Então vibro,

Quanto quente,

Quando frio,

Quando sol,

Quando lua,

Quando chuva,

Quando verde,

Quando só,

Quando junto.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Suspiros poéticos


Penso em ficar só, mas minha natureza pede diálogo e afeto...
Então derreto-me em risos, atraindo meu reflexo no espelho...
Se teu olhar encontrar o meu, sinfonia de suspiros...
(Cleudes Pessoa, 29/10/2013)

Sou um pouco de todos que conheci,
Um pouco dos lugares que fui...
Sou muito das coisas que gostei...
Sou toda em ti e tu é todo em mim.
(Cleudes Pessoa, 28/10/2013)

A vocês, eu deixo o sono!
Para descansar os olhos enfadados...
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego, sou alimentada pela inquietude de realizá-los...
(31/10/2013 Eu adaptando Paulo Leminski de madrugada)

Amo. E pronto.
Amo porque preciso,
Preciso porque estou tonta.
Ninguém tem nada com isso...
Amo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
Amar-te  me deixa viva...
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu amo apenas.
Tem que ter por quê?


(25/09/2013 Ousada que sou,
 adaptei o poema  Razão de ser de Paulo Leminski)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Gritos silenciosos sobre afetos...

Por um dia ela estava condenada ao Silêncio. Tinha fama de tagarela desde criança. Mas agora na idade adulta sua fala assusta, hora tem veneno de serpente por ser tão verdadeira, outra hora enfeitiça com um contagioso intervalo de gargalhadas. Só por hoje está condenada ao silêncio gritante de sua alma, alma essa inquieta que resolveu sem nenhum pudor dar gritos sobre como anda seus afetos...

 Essa tarde ficou horas devaneando na cama sobre a vivencia do amor:
 -Será mesmo que mulheres negras são feridas no lugar que poderiam conhecer o amor?
-A escravidão de seus ancestrais com a coisificação do corpo e da alma impediu-as de experimentar relações de intimidade, compromisso e paixão?

Com o silêncio da boca tentou dormir, mas dentro de sua mente os sussurros começavam novamente... 
E de repente vinham os gritos:

- Deve ser verdade, considerando que nossos ancestrais testemunharam seus filhos e filhas sendo vendidos, seus amantes, companheiros e amigos apanhando sem razão, mais de um século de um povo vivendo na pobreza, sendo obrigadas a serem separados de seus entes familiares...

Lá pelo início da noite conseguiu dormir e sonhou. Sonhou com seu amor (amor esse que nem sabe que é o amor dela, mas para quer saber, o amor é dela, se o outro sabe, ou quer esse amor, é outro grito no silencio desse dia), no sonho os dois se deliciavam com sorrisos, olhares, afagos... Mas os gritos a fizera acordar e uma ideia lhe veio à cabeça:

- Será por isso então que as pessoas não estão conseguindo entregar-se ao amor? Levando em conta que a população desse lugar é em sua maioria descendentes de escravos, essa uma tese possivelmente verdadeira...
Lembrou-se que por onde anda, ver romances frágeis, olhares arredios em vez de encantados pela singularidade do outro/outra, desejos contidos, paixões caladas, como se a intensidade do amor não pudesse arder em brasa...
Resolver dar um basta nos gritos, levantou-se e escreveu:


 - Calem-se! Tenho um novo tempo no amor a viver!  Dor e beleza em mim me torna mais forte e resistente do que nunca.  Alegra-me a provocação de dizer que meu lugar são todos os lugares e que o amor é meu melhor lugar, minha sensualidade é sensualidade de indivíduo. Eu a construo e dela quero fazer o que quero.  Sou filha de negra, neta de negra. Quero a dança, quero o rebolado em qualquer ritmo. Quero meu corpo pra mim e pra quem eu quiser, se eu quiser. Minhas curvas amplas, largas, não me tornem menor, melhor, pior.  Minha sabedoria e meu aprendizado são a força que move a liberdade de mim e do outro, e não mais a do outro sobre mim. Calem-se!