domingo, 22 de julho de 2012

Amor romântico?


Andei por uns meses de luto, em virtude do meu primeiro divórcio do meu segundo amor nesta existência efêmera, muita dor, solidão, mas, libertação, encontro comigo mesma.

 Estou liberta e feliz novamente...

Meu primeiro amor, o perdi três vezes: primeira pelo sonho de vida melhor em São Paulo. Segunda, para outra mulher. Terceira para a morte.

No amor é tudo tão incerto, aprendo isso a cada respirada...

Quando recebi a noticia que ele tinha cometido suicídio, uma dúvida tomou conta da minha alma, por que pessoas tão boas vão embora desse mundo tão rápido.

Foi com ele que ouvi pela primeira vez Pink floyd...

Penso que seja melhor cuidar de um amado do que perder um amado, e mesmo depois de cuidar deste amado, veio o divórcio, permaneço com desejo de encontrar outro amado.

Possivelmente o amor é perene, as relações não. Que um novo amor venha...

domingo, 15 de julho de 2012

Carta ao invisível


Nessas últimas noites tenho dormido com uma sensação de sossego e ao mesmo tempo uma euforia corporal, tão etéreo, inexplicável... Ainda não descobri porque a energia dele me faz tão bem...

É segredo, mas, houve um encontro entre nós... Encontro de corpo e alma, matéria e essência... Mesmo que eu morra dezenas de vezes, não apagarei a lembrança desse encontro...

Nosso beijo, nem sei como aconteceu, só lembro que foi tão suave, sereno, saciei um grande desejo...

Lembro-me da voluptuosidade da língua nos dedos e dedos na língua...

Arrepio-me toda lembrando minhas mãos procurando o sexo dele e as mãos dele buscando meus mamilos... Fico molhada, meu sexo se inunda de desejo...

Não sei como ele se sente, mas, penso que ele não negaria que houve entrega por parte dele, por um momento ele desejou-me e se sentiu pleno também... Se negar, não sofrerei, faz parte da viagem das descobertas afetivas da juventude.

Gostaria tanto de entender por que estamos nos encontrado nessa encarnação para viver esse sentimento e sensações dessa forma, tem dias que penso que é uma dádiva, outros penso que é uma punição...

 Mesmo que aquele momento tenha sido único, já estou realizada nesse meu amor tão incondicional. Pelo menos nessa existência.

Na próxima existência de minha essência, essência essa que se identifica de um jeito tão profundo com a essência dele, darei um jeito de nossa proximidade ser mais longa, não permitirei que qualquer diferença, impeça-nos de viver um grande amor.   Que todo o mundo invisível memorize esse meu desejo.



 Carta escrita em julho de 2011


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Magia sutil


Acredito que ainda existe muita magia no mundo:

Na certeza de que a esperança é esperar pelo melhor...

Na atenção das mães a suas crias... O feminino vai...

Na força construtiva do afago de um pai... O masculino vem...

Quando doi a culpa, o pedido de misericórdia ao divino invisível...

No calor das mãos numa ciranda... Somos unos...

Quando um olhar acalentador de um grande amor nos encontra...

Arrepios, o beijo quente do amante saudoso... Alquimia...

Quando silencia o acompanhante ao pé do leito da morte... Serenidade...

Morte e vida encontrada todo dia.

Quando livres, nossa coragem nos deixa vigilantes do ser por vir que somos...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Melhor assim...


Na sexta, Rimos, muito...

É assim que me liberto.

Tem momentos na vida que estamos tão com nós mesmos que parece latejar, dói,

Então, me solto em risos,

Melhor assim.

Alguns dias atrás chorei, muito...

Procurei desesperada por alguém para me ouvir, me olhar... Achei,

O amor cura.

Melhor assim.

À volta...

 Olhos se encontrando, o contar de novidades, um brilho,

 Ser mãe é viver sentimentos inesperados.

Melhor assim.

Tem dias que sou pedra, pesa ser quem sou...

Tem dias que sou flor, minha leveza se desmancha em gargalhadas...

Hoje sou poesia, sou verso, não tem volta.

Melhor assim.


terça-feira, 1 de maio de 2012

O silencio é reparador


Uma tranquilidade imensa em não querer nada, de não está buscando mais nada...

Antes existia uma pressa pelo resultado, hoje não mais...

Invade-me uma leveza enquanto escrevo isso...

Tenho passado muito tempo só. Não existe solidão, o silencio é reparador...

 Conformação?  Não é isso, continuo indignada, e desejando, e sonhando, e agindo por outro mundo mais humanizado, me humanizo até no confronto...

Ao mesmo tempo, que tudo, está fora do lugar, tenho a certeza de está tudo no lugar certo...

Alma continua inquieta, mas, o pensamento está confortado na segurança do agir.

domingo, 15 de abril de 2012

Lonjuras que fazem bem

Distancias - outrora dor...

Despego – agora paz...

Às vezes me parece que minha segurança gera insegurança...

Meu riso, provocação...  

Como posso tirar a paz?

Eu faço a minha paz e desapego é parte essencial dela.

Não deixarei que desfrutem do meu corpo sem amor, prefiro distribuir sorrisos...

Mesmo que o resultado disso seja a fúria de alguns...

Minhas alegrias irradiam de uma paz inquieta.

domingo, 1 de abril de 2012

Memórias para minha linda Ana...


...Ela nasceu em julho de 2000.  O parto cesariano foi tranquilo, voltei para casa no dia seguinte, só então alguns problemas iniciaram-se, Emanuel meu primeiro filho, demorou a se adaptar a presença da irmãzinha, mesmo com a barriga costurada por dentro e por fora e com muitas dores, precisei cuidar dos dois, no fim da tarde, enquanto eu amamentava Ana, Emanuel subia na cama, se aconchegava debaixo do outro braço e cochilava, não teve jeito, rompeu os pontos, infeccionou, voltei ao hospital e fiquei internada. Fiz uma opção, para não interromper a amamentação, levei Ana comigo. Foram dez dias difíceis, muita dor e esforço, numa enfermaria de hospital público. De alguma forma, essa internação foi um tempo bom, só com ela, só comigo, só com meu sagrado, pude observar como ela era bela, forte e tranquila. Pele igual a minha, cabelos cacheados, olhos vivos, uma boca tão definida, uma linda... Eu pensava ela é especial... Ela é guerreira...
...Voltei para casa mais forte, decidida: assim que Ana deixasse de mamar, reorganizaria minha vida, voltaria pra faculdade, não seria uma fracassada, seria exemplo para meus filhos, não deixaria o ciclo de pobreza da minha família se repetir. Meus filhos foram a agulhada necessária para eu me ressuscitar, voltei a me amar através deles, minha libertação da dependência afetiva, o rompimento, a cura...
...Foi um retorno difícil, mas, cheio de alegrias, conclui de forma emocionada meu curso de Assistente Social, voltei a me envolver com o movimento social, participei dos movimentos de defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Precisava cuidar da criança dentro de mim, das duas crianças nascidas de mim...
... A luta por um mundo melhor para as novas gerações não sai de mim. Os frutos de minha paixão insana salvaram-me da loucura. Minha Ana, mesmo de longe, você me salva!
Noite passada olhei as estrelas, brilhavam como seus olhos!