segunda-feira, 19 de março de 2012

Arrumação


...Meus cabelos são ousados...
...Todo dia tento arruma-los, mas, eles são teimosos...
...Os cachos, adoram apontar o céu azul  do Cerrado...

...Fico pensando que minhas atitudes no amor...
... Meu coração  deveria ser ousado feito meus cabelos...
... Penso então, arrumo os cabelos, ou o coração?...

... Vou arrumar o coração...
 ...Meus cabelos, apontam pra minha afirmação: que é negra, é negra!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Viagem para dentro de ti

Sentimentos de passagem se misturam com desejo de ficar.
Deslumbro-me a cada lugar que vou, mesmo quando é “reviagem”, me parece nova...
Percurso longo e curto lembra-me dos vultos, cheiros e paisagens.
Antes, era eu errante na estrada, hoje tua ausência é meu guia...
Mas, tem uma viagem que desde sempre quis fazer, para dentro de ti...
Fico a imaginar que não deve ser um percurso longo nem curto, deve ser quente.
Do pé ao nariz, passando por sexo e boca, um dentro fora, um fora dentro...
Prazeres febris.
E o encontro de nossas essências? Feixes de luz se misturando...
Prazeres sutis.
Aonde chegarei eu não sei, mas espero que o fim da viagem seja o começo.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Viva a energia feminina divina, criadora e infinita

O tempo de aprendizado no movimento feminista me trouxe muitas dúvidas, mas também algumas certezas, entre elas, uma fundamental: Deus também é mulher!
Quero dizer que ser uma mulher militante e politizada que está disposta a tudo para construir um mundo melhor não me impedi de manter a fé e crença na existência de um mundo espiritual.
É óbvio que as pessoas se assustam com minhas preces, pois começo sempre dizendo: DEUS PAI, DEUS MÃE... Mas, sei que sou entendida pelo seres invisíveis.
E nesse mundo invisível aprendi que a energia masculina e feminina ficam unas.  DEUS, DEUSA, MÃE, PAI? SANTA ISSO? SANTA AQUILO? Vou concordar com Shakespeare: “O que são nomes? Mesmo que chamemos uma flor com outro nome, seu perfume será igualmente doce”.
Mas já me expliquei por demais... De verdade quero é contar das sensações que me invadiram desde ontem...
Sonhei que estava numa praia, caminhando, pensando, ouvindo o som das ondas, ao longe havia uma bola de luz branca muito forte, tão forte, mas não ofuscava meus olhos, era linda e atraente, eu caminhei na direção dela, quando cheguei perto, percebi que a luz mudava de cor, misturava-se com azul, depois Lilás, amarela... E ficava um branco prateado, eu não parei de andar, entrei na luz e acordei.
Acordei com uma tranquilidade, uma paz, uma sensação que tudo daria certo nesse dia. Resolvi ir ao trabalho prolongando aquela sensação do sonho. Vesti-me toda de branco, um lenço azul e um brinco de penas multicolorido, pronto!  homenagem a Yemanjá.
Essa sensação de proteção, paz e tranqüilidade permanecem hoje.  Ao acordar lembrei-me que nesse dia 12 outubro, além do dias das crianças, é dia de Nossa senhora Aparecida.  Fiz minhas preces reverenciando todas as mártires, santas, orixás, pedindo para que a energia espiritual feminina abençoe e proteja todas as crianças do Brasil, começando pelas duas crianças que tenho em casa e a criança que existe dentro de mim...
E viva Yamanjá, Iansã, Oxum! E viva nossa Senhora Aparecida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Vejo tudo com novos olhos

Todo ano, neste período “pósaniversário”, entro na mesma crise existencial, e perdoe-me Jean Wahl, isso não tem nada de filosófico, é real, doe tanto, prefiro dormir para amenizar a dor. Mas depois da dor vejo tudo com novos olhos.
Fico questionando-me do que gostaria de ser salva? Ou, qual tesouro deve ser desenterrado agora? Onde está o tesouro? Lá? Acolá? Aqui?  Em outra dimensão?
Não sei se já sentiram isso algum dia, mas é quase enlouquecedor: dar uma ânsia de vagar por aí... Sempre penso que um ano é suficiente para colher os frutos do que foi plantado, se isso não acontece, parece-me que tem algo de doente no ambiente, ou em mim... Qual o remédio? Qual a cura? Mudança... O desapego me invade como ondas fortes... Sempre acredito que mudar de dentro para fora resolve algumas coisas...
Decido então, vou mudar de endereço. Buscar outro ângulo da vida, contemplar do alto, ou de baixo de outro lugar... Quem sabe novos horizontes se abrem para mim? Vagar por aí feito folha seca, ou quem sabe voar como uma borboleta que sai do casulo...
Talvez eu não esteja sendo nítida em minhas vontades e ânsias, mas é meio paradoxo mesmo, mudar? Vagar? Ficar? São tantas vontades, confusão emocional, só quero acrescentar mais vida aos meus dias... Será que me entendem?  Se não, pasmem, não quero ser entendida mesmo... Quero ser amada... Vocês sabem o que é amar de verdade?
Por vezes penso que um amor “romântico-sexual-transcendental-tranquilo” me ajudaria nessa ânsia; mudar, ficar, vagar deixaria de ser meus maiores questionamentos? Beijos na boca seria minha maior preocupação, beijos deliciosos, beijos apaixonados... Mas onde estão os homens? Não qualquer homem, falo daquele tipo que podemos dizer: beije-me outra vez! Sem que eles pensem que somos grudentas... (risos).
Estou começando a “aprender” como vou fazer isso: Mudar, ficar e vagar tudo ao mesmo tempo... Estou grata com esse lampejo de solução, gratidão sincera é sempre um sinal de grandeza né?  Louise Labé ajudou-me a perceber isso essa noite por meio de seus poemas: “O coração feminino tem sempre uma cicatriz de queimadura”, digo mais, a alma de mulheres audaciosas como nós, tem sempre profundas cicatrizes, mas isso não nos impede de mudar, ou ficar e até vagar nos mundos existentes.
Tenho um cérebro, por que não usá-lo? Tenho uma intuição esotérica apurada, porque não desenvolve-la? Esse desapego de “coisa materiais” deve ser um sinal de que me devo ocupar de coisas ocultas? Imateriais? Espirituais?  Que o mundo invisível ajude-me nas respostas.

domingo, 25 de setembro de 2011

Hoje é meu aniversário...

(...) Não sei por que insisto em planejar a comemoração de meu aniversário, depois de tantos anos já devia ter aprendido que a comemoração está dentro de mim, afinal sou uma balzaquiana bem resolvida... O que acontecerá, ou não no dia 25 de setembro de cada ano não deveria ter tanta importância.
(...) Coisa nenhuma, vou deixar de lado essa merda de querer ser evoluída e vou abrir o jogo, esses escritos de hoje têm uma essência de tristeza sim, estou bem é verdade, mas meu inferno astral esse no foi tenebroso, senti-me como a mesma menina abandonada pela família, que sempre sonhava com festa e presentes especiais, mas isso nunca acontecia... Cheguei a perder a noção das coisas, mandei pessoas amadas se danarem, baixei o nível, mandei “cagar” como se elas fossem culpadas de minhas dores internas...  Passei noites em claro fazendo meditações e trabalhos espirituais para alcançar um pouco de paz...  Tatuei-me , uma mandala no formato flor, na esperança de impregnar em mim a doçura e delicadeza desse símbolo, e assim atrair só amor.
(...) Chega!!! Vou parar de me queixar, estou em paz, acreditando que recebemos demonstração de amor e afeto na mesma medida que conseguimos doar... No mais a dor da ausência de momentos que gostaríamos de viver sempre vai existir: olhares que não se cruzaram, mãos que não se encontraram, beijos que não se repetiram, telefonemas não atendidos, cartas escritas e não enviadas, e até viagens de aniversário que não aconteceram.
(...) Essa noite, do dia 24 para dia 25, tive um sonho deslumbrante: eu estava na beira de um lago acompanhada por seres transparentes e brilhantes, todos multicoloridos... Eles me indicaram para entrar no lago, eu mergulhei animada, quando sai da água, não mais andei, voei, tinha me transformado em uma linda borboleta amarela. Acordei com uma sensação de liberdade e desapego de tudo que é palpável.

domingo, 11 de setembro de 2011

O Risco...

Todos os nossos momentos são interessantes. Parece-me que encontramos uma forma de relação que nos protege de superficialidades. Até no silêncio sabemos que algo está sendo falado. Tipo tuas criaturas que se conhecem de outros tempos e a forma de comunicação ainda não está totalmente estabelecida.
Às vezes fica um pouco confuso, existe um medo... Uma tensão. Recorremos à pausa.
Tem dias que começo acreditar que tudo não passa de vertigens, invenção de minhas elucubrações literárias... Quando junto
“o antes, o durante, o depois” vejo que não.. Mesmo parecendo um lugar intermediário entre dois mundos, tem “algo” de real...  Mas não vou me preocupar muito com isso, desapeguei... A vida criativa segue seu rumo sem grandes complexidades, ou dizendo melhor, com toda sua complexidade.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Regando atitudes...

“O vento soprou uma semente
leve como uma pluma
linda como uma estrela!
E ela caiu e penetrou de mansinho
nas terras desertas do meu coração
No meu peito nasceu uma planta
que está crescendo lentamente
E todas as manhãs
eu a rego carinhosamente
com sonhos e atitudes

Sinto a cada dia que passa
que as raízes
penetram mais fundo
na medula do meu ser
Levando-me a cantar com alegria
porque é grande a magia
que está encantando o meu viver!

Passo dias e noites torcendo
que flores e frutos brotem
para ofertá-los a ti”

(Esmeralda Ribeiro)