sábado, 14 de dezembro de 2013

Inadequação...

Ela gargalhou desesperadamente e percebeu que era raiva, então vomitou palavras...
Por alguns segundos engasgou – se com o próprio vômito, anda sufocada pela superficialidade...
Deseja calar-se, mas os gritos se fazem mais presentes...
Não se conforma com um cheio tão vazio...
Seu corpo fala... Olhos, boca, mãos, suores...
Fala de quê?
Inadequação... A humanidade não sabe mais amar...
 Até beijou uma boca que vomitava a mesma comida...
E que boca gostosa...
Alguns soluços serão necessário para  recompor-se...

Nunca antes suas lágrimas foram tão alegres.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Eis-me aqui...


A angústia da renovação arde como queimadura de insolação...
Olhar o nascer do sol com mais distanciamento, seguir um caminho novo...
A dor de perder aquilo que nunca se ganhou, é uma dor pequenininha...
Afinal, como estou meio flor, a fragilidade se faz presente...

a dor de não querer
de forma alguma
pôr um ponto final

e eu vou esmagar
esse medo besta
voltar ao meu estado meio pedra

E agora eu vou vestir minha armadura de novo

e eis-me aqui: como sempre.




(04/12/2013 - Poesia a 4 mãos, Suelli Martins e Cleudes Pessoa)

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Meu eu menina...



Aprendi com os  Mestres da vida que viver é uma experiência única, preciosa...

Então vibro,

Quanto quente,

Quando frio,

Quando sol,

Quando lua,

Quando chuva,

Quando verde,

Quando só,

Quando junto.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Suspiros poéticos


Penso em ficar só, mas minha natureza pede diálogo e afeto...
Então derreto-me em risos, atraindo meu reflexo no espelho...
Se teu olhar encontrar o meu, sinfonia de suspiros...
(Cleudes Pessoa, 29/10/2013)

Sou um pouco de todos que conheci,
Um pouco dos lugares que fui...
Sou muito das coisas que gostei...
Sou toda em ti e tu é todo em mim.
(Cleudes Pessoa, 28/10/2013)

A vocês, eu deixo o sono!
Para descansar os olhos enfadados...
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego, sou alimentada pela inquietude de realizá-los...
(31/10/2013 Eu adaptando Paulo Leminski de madrugada)

Amo. E pronto.
Amo porque preciso,
Preciso porque estou tonta.
Ninguém tem nada com isso...
Amo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
Amar-te  me deixa viva...
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu amo apenas.
Tem que ter por quê?


(25/09/2013 Ousada que sou,
 adaptei o poema  Razão de ser de Paulo Leminski)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Gritos silenciosos sobre afetos...

Por um dia ela estava condenada ao Silêncio. Tinha fama de tagarela desde criança. Mas agora na idade adulta sua fala assusta, hora tem veneno de serpente por ser tão verdadeira, outra hora enfeitiça com um contagioso intervalo de gargalhadas. Só por hoje está condenada ao silêncio gritante de sua alma, alma essa inquieta que resolveu sem nenhum pudor dar gritos sobre como anda seus afetos...

 Essa tarde ficou horas devaneando na cama sobre a vivencia do amor:
 -Será mesmo que mulheres negras são feridas no lugar que poderiam conhecer o amor?
-A escravidão de seus ancestrais com a coisificação do corpo e da alma impediu-as de experimentar relações de intimidade, compromisso e paixão?

Com o silêncio da boca tentou dormir, mas dentro de sua mente os sussurros começavam novamente... 
E de repente vinham os gritos:

- Deve ser verdade, considerando que nossos ancestrais testemunharam seus filhos e filhas sendo vendidos, seus amantes, companheiros e amigos apanhando sem razão, mais de um século de um povo vivendo na pobreza, sendo obrigadas a serem separados de seus entes familiares...

Lá pelo início da noite conseguiu dormir e sonhou. Sonhou com seu amor (amor esse que nem sabe que é o amor dela, mas para quer saber, o amor é dela, se o outro sabe, ou quer esse amor, é outro grito no silencio desse dia), no sonho os dois se deliciavam com sorrisos, olhares, afagos... Mas os gritos a fizera acordar e uma ideia lhe veio à cabeça:

- Será por isso então que as pessoas não estão conseguindo entregar-se ao amor? Levando em conta que a população desse lugar é em sua maioria descendentes de escravos, essa uma tese possivelmente verdadeira...
Lembrou-se que por onde anda, ver romances frágeis, olhares arredios em vez de encantados pela singularidade do outro/outra, desejos contidos, paixões caladas, como se a intensidade do amor não pudesse arder em brasa...
Resolver dar um basta nos gritos, levantou-se e escreveu:


 - Calem-se! Tenho um novo tempo no amor a viver!  Dor e beleza em mim me torna mais forte e resistente do que nunca.  Alegra-me a provocação de dizer que meu lugar são todos os lugares e que o amor é meu melhor lugar, minha sensualidade é sensualidade de indivíduo. Eu a construo e dela quero fazer o que quero.  Sou filha de negra, neta de negra. Quero a dança, quero o rebolado em qualquer ritmo. Quero meu corpo pra mim e pra quem eu quiser, se eu quiser. Minhas curvas amplas, largas, não me tornem menor, melhor, pior.  Minha sabedoria e meu aprendizado são a força que move a liberdade de mim e do outro, e não mais a do outro sobre mim. Calem-se!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Eu devia ter lido essa crônica em setembro

O dia certo  que nasci é uma incógnita, para tirar minha certidão  de nascimento  inventaram a data 25/09, por essa data, segundo os astrólogos sou uma uma libriana, como adoro todo o universo esotérico, fiquei bem feliz ao ler essa crônica do meu amigo Eduardo Loreiro Junior. Definitivamente eu sou uma mulher de libra com prazer KKKKKK!!!


“Minhas mulheres de Libra"   Eduardo Loureiro Jr.
Sei que o título é pretencioso — MINHAS mulheres de Libra —, afinal quem sou eu para ter alguma mulher, ainda mais mulheres de Libra, que normalmente são graciosas e lindas além da conta... E acima de tudo sensíveis e independentes. Uma mulher de Libra, lendo essa palavra, MINHAS, não só se sentiria ofendida como me enviaria, mentalmente, desprezo suficiente para eu sofrer pelo resto de minha vida.
Se escrevo esta crônica nesse momento, é porque as mulheres de Libra não estão lendo. Tenho certeza disso porque as librianas todas estão envolvidas com seus aniversários, dando conta de preparativos e convidados para as suas festas de aniversário, e sendo felizes na companhia de seus amigos ao invés de lendo crônicas num site de internet. As librianas — não sem razão — estão muito ocupadas no final de setembro, início de outubro, e posso chamar de minhas pelo menos algumas delas, já que elas nem saberão disso. Os amigos das librianas, aqueles que poderiam fofocar sobre a minha pretensão, também estão preparando festas-surpresa para as aniversariantes.
Minhas librianas foram apenas três. E se digo "apenas" não é para humilhar os demais homens, que talvez não tenham tido a honra de ter uma libriana sequer. Para falar a verdade, das minhas três librianas, eu tive apenas uma. Librianas são difíceis de conseguir, porque há sempre cinco ou seis homens na fila. São aquelas mulheres de quem um homem pensa: Como posso morrer sem tê-la beijado uma vez sequer? E, tendo-a beijado, como morrer sem estar ao lado dela, feliz até o fim?
Quem já teve uma libriana e não tem mais — meu caso — é porque não sabe o que é bom. Ou então porque teve uma libriana quando ainda era muito novo — minha desculpa , e não sabia o tesouro que tinha ao alcance das mãos e dos lábios.
Quem conversa com uma libriana tem a sensação de que está conversando com uma das pessoas mais inteligentes do mundo; e, quando acaba a conversa, tem a certeza de que está tocando, beijando, transando com a mulher mais potente e amorosa do mundo.
Das minhas librianas que não tive, uma tinha o poder de se transformar numa imagem de Nossa Senhora com Menino Jesus no colo, e de transformar a mim num monge contemplativo. A outra me fazia crer que eu a fazia subir pelas paredes, quando ela é que girava meu mundo e transformava teto em chão.
De vez em quando, vejo as minhas librianas que eu nunca tive por aí, ao lado de outros homens felizardos. Já passei da fase da inveja, já não considero mais tais homens pouco merecedores de uma libriana. As librianas também têm o dom de tornar os seus homens melhores, a ponto de eles se tornarem merecedores do amor delas.
Minha única libriana que tive um dia, só a vi uma vez depois de tê-la perdido, casualmente, num shopping. De vez em quando — agora, por exemplo , paro e penso que aquela pode ter sido a última vez que a vi. E o que eu disse? Um boa-noite, um como vai?
Como posso morrer tendo dito tão pouco? A última coisa que se deve dizer a uma libriana é "eu te amo, sempre te amei, e sempre te amarei".
E se ela disser "eu também", não haverá mais crônicas a serem escritas no final de setembro, início de outubro. A vida com uma libriana deixa pouco tempo para a literatura.

sábado, 13 de outubro de 2012

Chover I


 A menina dentro de mim tem ficado lenta... 
Os dias que chovia e não descia ao rio para pescar vem a minha mente...

O vazio do não dito paira no ar...
Lembro-me dos fins de tarde que mamãe não voltava...

O bem dito nem precisaria de palavras, sim pele na pele...
 

Aceito que pelo menos nunca será maldito...

A inquietude tem se tornado um vazio, parece que o corpo inteiro chora...

Exaustão do todo e do nada...

Entre deixar livre e deixar seguro, me sorrir a liberdade...

Que chova fortemente e lave essa poeira sobre meu olhar...

Que esses dias cinza passem logo.